Anatomia Emocional - O Diafragma

Atualizado: Jun 23



Prof. Dra. Ana Murray

Educação Física  e Reabilitação  - Fisioterapia Motora Clínica e Hospitalar  Quiropraxia e Método Kabat  - Medicina Ayurveda - Reeducação Músculo Articular - Ventosaterapia - Barras de Access



Anatomia Emocional é uma abordagem da psicoterapia corporal conhecida como “psicologia formativa”. Criada brilhantemente por Stanley Keleman em meados de 1970, que incansavelmente estudava, aprimorava e praticava sua técnica e nos deu este presente! Keleman era Quiroprata de formação e em sua pratica clinica observou a relação entre o conflito emocional, movimento/alteração da função dos órgãos internos e a distorção da postura corporal. Em sua juventude, foi atleta seguindo sua carreira no atletismo e o mesmo descrevia na prática o que sentia e que estes sentimentos e alterações corporais poderiam ser descritos de forma científica e didática para que todos entendessem e pudessem fazer uso de uma técnica que reconheceria as dores, alterações e compensações corporais coma as compensações emocionais. Dizia que não só a tristeza ou a angustia poderia alterar seu corpo mas que a alegria ou a felicidade são tão ou mais transformadoras corporais do que se pensa. Então com esta bagagem de atleta e formação em quiropraxia e ansiando por mais informação tornou-se membro do Instituto de Análise Bioenergética de Alexander Lowen, apartir daqui essa formação une-se com as abordagens caracterológicas de Freud, Reich e Lowen. Após anos de estudo aprofundados, Keleman desenvolveu sua forma de trabalho, a Psicologia Formativa, com metodologia somático emocional que tem o embasamento teórico pratica solidamente em anatomia e fisiologia humana bem como em uma compreensão psicológica.

A Anatomia Emocional ilustra e pensa em descrever um corpo que não é apenas um corpo mas uma arquitetura tissular em permanente construção-desconstrução-reconstrução-construção sempre em busca do melhor viver. Este singelo e rápido resumo sobre Stanley Keleman e seu trabalho com as coordenadas para este modelo somático neurológico que geraram o livro Anatomia Emocional é para direcioná-los caros leitores ao universo possível de entendimento das suas emoções e alterações corporais.

Meu objetivo como fisioterapeuta e quiropraxista é dar um norte pratico de como reconhecer partes importantes do seu corpo e com isto realizar alguns exercícios que podem auxilia-los para tal. Seguiremos a partir deste artigo uma sequencia de 3 artigos sobre este assunto e o primeiro deles é sobre O Diafragma. Anatomicamente o diafragma fica no centro do abdômen entre a cavidade torácica e a cavidade abdominal (protegendo órgãos internos).

Considerado o músculo motor primário para a respiração, o diafragma é um músculo estriado esquelético em formato de cúpula, caracterizando-o como assoalho da cavidade torácica e teto da cavidade abdominal.

Tem como função principal o processo da respiração, mas também tem a função de estabilizar a coluna vertebral e auxiliar na expulsão das fezes, urina e fluidos. O diafragma apresenta 3 aberturas que permitem a passagem de estruturas como vasos sanguíneos, nervos importantes e de estruturas como o esôfago que leva ao estômago. O diafragma é o principal músculo que atua no processo da respiração pulmonar. Inspirar é quando ele contrai e desce, Expirar é quando ele relaxa e sobe. Portanto com todas essas informações conseguimos entender que quando não respiramos direito podemos sentir dor nas costas ou quando estamos muito nervosos ou ansiosos nosso esôfago se contrai e possivelmente sentimos enjoo porque não estamos ciclando o oxigênio de forma adequada. Lembrando que fisiologicamente fazemos entre 18 à 22 ciclos por minuto (média para adultos jovens), um ciclo é a combinação entre inspirar e expirar que resulta na sua frequência respiratória. Esta frequência respiratória é regulada pelo sistema nervoso e ela é ditada pelo estado fisiológico de cada indivíduo. BINGO!!! Ansioso estou aumento a frequência respiratória! Deprimido estou possivelmente diminui ou quase some minha frequência!

Estas descrições são clássicas dentro da medicina física e reabilitação assim como na fisioterapia tradicional. No prisma de Stanley Keleman nós temos 5 diafragmas: São identificados anatomicamente das seguintes formas: O 1º diafragma encontra-se nas camadas do crânio, entre a dura-mater e os ossos craniais. A pulsação craniana tem seu próprio ritmo de 14 pulsos por minuto que são estabelecidos pelo ventrículo e pelos fluidos espinhais. O 2º diafragma é a continuidade da espessa membrana da dura-mater, junto com a expansão do tronco cerebral, revestimento protetor da medula espinhal e os músculos occipitais do forame magno regulam a pressão interna da cabeça. O 3º diafragma é composto pela língua e o palato esfenoide, etmoide e o palato duro (céu da boca) formam o assoalho do cérebro junto com os músculos nasofaringianos, a glote, os ossos hioides, esterno-hioide e omo-hioide, assim como os músculos da clavícula e juntos realizam a função do 3º diafragma e regulam o fluxo de pressão que vem dos pulmões, ajudam na postura ereta da coluna vertebral principalmente da coluna cervical.

O 4º diafragma é o torácico como já descrevemos anteriormente e associado aos músculos intercostais externos e internos e os músculos Inter torácicos. O 5º diafragma é o abdominal-pélvico que é formado pelo teto do diafragma, coluna lombar, ligamentos, músculo psoas e ilíaco e os músculos do assoalho pélvico. E como uma rede constituída pela pélvis óssea e o sacro, e pelos músculos que os acompanham. Aqui estão os órgãos da digestão, excreção e sexualidade. Este 5º diafragma se opõe a força descendente da pressão Inter abdominal que ocorre durante a inspiração. Com estas informações estudadas, primeiramente, por Keleman mas atualmente muitas outras técnicas também a consideram, então podemos entender como nossas emoções alteram nosso ritmo respiratório e com isto nossa postura e a condição de saúde de nossos músculos, ossos e órgãos internos. Com uma simples observação do ritmo respiratório e do seu curso podemos amenizar e tratar algias e alterações estruturais sem entrar em pânico e achar que temos doenças que nem ainda desenvolvemos e nem precisamos desenvolver. Um exemplo clássico são as dores no peito com irradiação para o braço esquerdo com formigamento, isto pode ser um indicativo de Angina Pectoris ou o Infarto agudo do Miocárdio, propriamente dito. Mas nem todas as dores no peito são Angina e como posso discernir?

Leia seu corpo em funcionamento. Verifique o ciclo respiratório, palpe no seu punho o seu pulso e em 60 segundos, você deve contar de 18 a 22 ciclos (lembrando que 1 ciclo corresponde a uma inspiração e uma expiração), esta media varia com a idade. Em seguida tente se lembrar o porque esta se sentindo assim. O que aconteceu? Se você tem doenças pré-existentes como hipertensão, cheque a pressão e quando no final das contas tudo esta ok mas a respiração continua alterada e a dor não se vai então façamos o seguinte exercício: Sente-se em um lugar confortável, com os pés apoiados no chão e a coluna em posição de relaxamento e então vamos trabalhar com cada um dos 5 diafragmas, então vamos lá!


Coloque suas mãos sobre o 1º diafragma e com uma pressão suave, faça 3 ciclos respiratórios completos, inspire e expire suavemente sem forçar ou se esforçar. Siga para o 2º diafragma: coloque suas duas mãos na base da cabeça sempre de forma suave e faça 3 ciclos respiratórios completos, não precisa ser longo ou forçado apenas respire e tente dar cadencia para ela. Passando para o 3º diafragma: como se você quisesse abraçar o seu pescoço com suas mãos, sinta o calor e o conforto de suas mãos ao redor da garganta e pescoço, faça os 3 ciclos sempre com um ritmo suave e lento, mas não superficial. Agora o 4º diafragma: abrace suas ultimas costelas e como se o diafragma fosse um fole auxilie-o a subir e descer, 3 ciclos agradáveis, fluidos e contínuos. Para finalizar o 5º diafragma com uma mão em seu baixo ventre (próximo da bexiga) e a outra mão na sua coluna lombar em direção ao osso sacro, comprima de forma suave e agradável, sinta o movimento sutil do encher e esvaziar, do inspirar e expirar, você será capaz de sentir pequenos movimentos da coluna. Seguem os mesmos 3 ciclos respiratórios de forma fluida, continua e agradável. Agora pare e sinta como você ficou. Com as mãos livres, respire e faça os 3 últimos ciclos respiratórios e volte a mensurar seu pulso.

Tenho certeza de que algo mudou em você e para melhor!

Como o próprio Stanley Keleman diria: respirar é vivificar o corpo! Respirar é ressignificar. Reespiritualizar. Reconectar. É se conhecer!!! Quando passamos a nos conhecer, a nos reconectar o nosso corpo irá mostrar com toda a

certeza o que esta inadequado e mostra o caminho que você deve seguir para encontrar uma forma mais saudável e feliz de se viver. Afinal de contas o corpo tem sempre razão!

OUÇA, OBSERVE E RESPEITE-O; ELE AGRADECE! Fonte: Anatomia Emocional.

Autor: Stanley Keleman.





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