O elo perdido

Atualizado: Jun 23




Alessandra Moitas

Psicologia e Psicanálise, Escuta clínica, Liderança, Mediação de conflitos, Comunicação interpessoal, Gestão de pessoas



Há quase um ano, o mundo da moda, se surpreendia com a morte da fashion designer americana Kate Spade, dona da marca de bolsas, que leva seu nome.

Símbolo de sucesso, ela era conhecida mundialmente, entre celebridades e socialites.


Tornou-se milionária em um espaço curto de tempo, fazendo de sua grife, uma referência para o mundo business.


Em julho do ano passado, ela chocou parentes e conhecidos, ao ser encontrada morta no flat em que morava em Manhattan, NY.


Na nota de despedida, ela reafirma o amor pelas filhas e pede que elas não se culpem por sua decisão.


Por trás da vida perfeita e cheia de glamour, Kate sofria de transtorno bipolar e estava devastada pela depressão, após ser surpreendida pelo pedido de divórcio do marido.


Já havia feito inúmeras tentativas de tratamento e na ocasião de sua morte, estava sendo acompanhada por um psiquiatra.


Há inúmeras histórias de suicídio, inúmeras causas e em alguns casos, sem nenhuma explicação aparente.


Mas a história da empresária, revela algo que merece reflexão.


Ela havia confidenciado à irmã, dias antes de tirar a própria vida, que não suportaria viver sem o companheiro.


Kate preferiu a morte à ter que aceitar a separação.


Como conceber a ideia de que alguém possa abdicar da própria existência, em nome de um outro?


Estamos diante da questão das relações de dependência, onde a identidade é renunciada para se viver a vida de outra pessoa.


A individualidade é obliterada e o sentido da subjetividade perdido.


Relações que são verdadeiras bombas-relógio, uma vez que desencadeiam conflitos e potencializam problemas psíquicos já existentes. O que está em jogo, é o vazio existencial que impele indivíduos à busca incessante por preenchimento; nesse sentido, qualquer coisa pode ocupar a função de alívio, pode-se estabelecer relações de dependência com substâncias químicas, dinheiro, consumo, religião e, pessoas.


Sim, sentimentos e relacionamentos podem causar tanta dependência, quanto qualquer outra coisa, porque a questão central, não é aquilo que se apresenta do "lado de fora", mas a forma como os indivíduos se relacionam com esse externo.


Portanto o caminho para o entendimento das relações humanas, é o autoconhecimento, porque convida à olhar para si mesmo e dessa forma, se apropriar da singularidade, ser autor da própria vida. É sempre um processo que se dá internamente, para então, dirigir-se ao mundo das relações. Trajetória, por vezes árdua, mas carregada de possibilidades. O elo do sentido que se perdeu, não pode ser encontrado em nada e em ninguém, porque habita nas esferas mais profundas da alma, esperando para ganhar significado e cores próprias.

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